Eufemia Amela, presidente da Associação Moçambicana das Mulheres com Deficiência, participou nos dias 4 e 5 de Fevereiro no Encontro Nacional sobre o Diálogo Nacional Inclusivo e destacou a situação de grande vulnerabilidade das mulheres com deficiência em Moçambique, marcada pela sobreposição de desigualdades de género, discriminação, pobreza e desigualdades territoriais. Segundo Amela, estas mulheres sofrem dupla discriminação por serem mulheres e por terem deficiência, enfrentando barreiras físicas, falta de acessibilidade em edifícios e transportes, exclusão económica, estigma social e altos índices de violência sexual, sobretudo contra raparigas com deficiência psicosocial dentro das famílias. Ela alertou que o acesso à educação, saúde, justiça e serviços básicos é limitado e muitas vezes marcado por atitudes discriminatórias, reduzindo a autoestima e a participação social destas mulheres. Amela defendeu a implementação efectiva das leis nacionais e internacionais, inclusão em espaços de decisão, investimentos em infra-estruturas acessíveis, apoio económico e social, tecnologias assistivas e formação de profissionais sobre direitos humanos com enfoque em género e deficiência, sublinhando que a inclusão não é uma questão assistencialista, mas uma prioridade de direitos humanos, desenvolvimento sustentável e justiça social, reconhecendo a mulher com deficiência como sujeito de direitos, agente económico e liderança activa na construção de um Moçambique mais justo e inclusivo.


