A Associação Moçambicana de Mulheres Portadoras de Deficiência (AMMD) participou, nos dias 16 e 17 de Setembro de 2026, no Fórum Internacional intitulado “Para Além do Homicídio, Compreendendo o Feminicídio e a Violência Sexista e de Género: Desafiando as Estruturas Históricas de Poder e Dominação”, realizado na Cidade de Maputo.
O evento foi promovido pela ASCHA e pelo Levante Nacional Contra o Feminicídio e a Violência Baseada no Género (VBG), em parceria com o programa WVL-ALIADAS, CESC, ONU Mulheres, Fundação Alberto Chipande, DORINHA, CFEMEA-Brasil, REDEH, GPEG e PPGH-Brasil, com o apoio do Alto Comissariado do Canadá, Embaixada da Noruega e da Friedrich-Ebert-Stiftung.
O Fórum reuniu organizações da sociedade civil, movimentos feministas, activistas, académicos, juristas, representantes do Estado, profissionais de diferentes áreas e especialistas nacionais e internacionais, entre outros actores comprometidos com a prevenção e o combate à violência contra as mulheres e meninas.
Durante a sua intervenção, Graça Machel, Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e activista social, apelou para uma mudança profunda de postura por parte da sociedade e das instituições, defendendo a adopção de medidas concretas e rigorosas para responsabilizar os autores de crimes contra as mulheres.
Ao longo dos dois dias, foram debatidos temas relacionados com a situação actual da igualdade de género, direitos das mulheres, democracia, feminicídio e violência sexista e de género, nos contextos internacional, regional e nacional.
Os participantes reflectiram igualmente sobre saberes, resistências e estratégias feministas para dar visibilidade ao feminicídio e às diferentes formas de violência contra as mulheres, bem como sobre o quadro jurídico moçambicano e os mecanismos de prevenção e resposta à violência sexual, sexista e de género.
O Fórum permitiu ainda a partilha de experiências entre Moçambique, Brasil, América Latina e outros países da região, promovendo uma reflexão conjunta sobre os desafios e as respostas necessárias para enfrentar a violência contra as mulheres e meninas.
O encontro constituiu, assim, um espaço de reflexão, aprendizagem e partilha de experiências, contribuindo para dar maior visibilidade às vozes das mulheres, fortalecer o posicionamento das organizações e construir respostas jurídicas, institucionais e sociais capazes de contribuir para a protecção efectiva da vida e dos direitos das mulheres e meninas.
A AMMD esteve representada pela Presidente do Conselho de Direcção, Eufémia Amela, e pela activista social Laura Mondlane. Para a organização, a participação no Fórum foi considerada importante, por permitir reforçar o compromisso com a construção de uma sociedade mais inclusiva e com a prevenção e combate a todas as formas de violência.
A AMMD destaca ainda a necessidade de que as discussões sobre feminicídio, violência baseada no género e direitos das mulheres incluam a realidade específica das mulheres e raparigas com deficiência, tendo em conta as múltiplas barreiras e formas de discriminação que podem enfrentar.

