A Associação Moçambicana das Mulheres Portadoras de Deficiência (AMMD) participou, no dia 8 de Setembro de 2026, na cidade de Maputo, num encontro de posicionamento da sociedade civil sobre as propostas de reforma das Nações Unidas, promovido pelo Fórum Mulher – Rede Feminista de Defesa dos Direitos das Mulheres.
O encontro contou com a participação de representantes do UN Women e do UNFPA em Moçambique e teve como principal objectivo discutir a proposta de fusão destas duas agências das Nações Unidas.
A reunião surge na sequência da tomada de conhecimento, por parte das organizações da sociedade civil, sobre a existência da referida proposta. As organizações presentes manifestaram preocupação pelo facto de activistas, defensoras dos direitos das mulheres e colectivos de base não terem sido previamente consultados sobre uma decisão que poderá ter implicações significativas na agenda de promoção e defesa dos direitos das mulheres.
Para além de manifestar a sua preocupação, o encontro serviu para solicitar esclarecimentos e informações detalhadas sobre a proposta de fusão, bem como para apresentar o posicionamento da sociedade civil moçambicana em relação à actual agenda de reformas das Nações Unidas.
Importa recordar que o Fórum Mulher acompanhou com agrado, no passado, o processo de transição do UNIFEM para o UN Women, considerando a criação desta agência como um avanço importante para o fortalecimento de uma estrutura das Nações Unidas especificamente orientada para a promoção dos direitos e da igualdade de género e para responder às necessidades das mulheres.
Entretanto, a actual proposta de fusão entre o UN Women e o UNFPA foi recebida com surpresa e preocupação pelas activistas, defensoras dos direitos das mulheres e organizações da sociedade civil, sobretudo devido à ausência de um processo amplo de consulta.
Durante o encontro, os participantes destacaram o receio de que a fusão possa representar um retrocesso nos ganhos alcançados ao longo dos anos na promoção dos direitos das mulheres e na consolidação das agendas de igualdade de género.
A proposta deverá ser submetida à apreciação da Assembleia Geral das Nações Unidas, prevista para decorrer em Setembro de 2026.
Perante este cenário, os membros e organizações presentes reafirmaram o seu compromisso de continuar a acompanhar o processo e a desenvolver acções de advocacia e diálogo com as diferentes partes interessadas, defendendo que qualquer reforma das Nações Unidas deve garantir a preservação e o fortalecimento dos mecanismos de promoção dos direitos das mulheres e responder aos seus reais interesses e necessidades.
